DENÚNCIA CONTRA PADRE ACUSADO DE PRATICAR LAVAGEM DE DINHEIRO É ARQUIVA PELO MP-GO

Em decisão unânime, o Tribunal de Justiça de Goiás arquiva denúncia do Ministério Público contra o padre Robson de Oliveira Pereira. Ele era acusado de praticar lavagem de dinheiro por meio da Afipe (Associação Filhos do Pai Eterno). A decisão foi tomada pelo desembargador Nicomedes Domingos Borges e acompanhada pela turma da 1ª Câmara Criminal do Tribunal.

Acusado de Praticar Lavagem de Dinheiro

A sessão aconteceu hoje à tarde de forma virtual. O padre Robson era investigado na Operação Vendilhões, deflagrada pelo MPGO (Ministério Público de Goiás), no dia 21 de agosto deste ano. Ele era suspeito de praticar lavagem de dinheiro e de crimes de apropriação indébita, organização criminosa, sonegação fiscal e falsidade ideológica.

Na decisão, o desembargador Nicomedes afirmou que não existem provas suficientes de que o dinheiro doado pelos fiéis tinham desvios de finalidade. “A Afipe se trata de uma associação civil evangelizador e, para atender às suas necessidades, poderá criar atividades como instrumento captador de recursos financeiros”, justificou

A acusação era de que os crimes teriam sido cometidos através da Afipe, que é responsável pela Basílica de Trindade (GO). A associação arrecadava doações para a construção de uma nova basílica em Trindade. O município, a 23 km de Goiânia, abriga a Basílica do Divino Pai Eterno, que é mantida pela Afipe e atrai milhares de fiéis.

Em agosto, a arquidiocese de Goiânia suspendeu temporariamente o direito do padre Robson de Oliveira de realizar celebrações. Exposição desnecessária, diz advogado

O advogado, que defende o Padre Robson, afirmou, em entrevista, que houve uma exposição desnecessária do religioso. Ele disse ainda que, se o Ministério Público de Goiás tivesse procurado o padre para dar explicações, tudo já teria sido esclarecido

Arquivamento

Por sua vez, o MPGO informou que só vai se pronunciar sobre o arquivamento do processo quando tiver acesso à íntegra da decisão. Em vídeo postado em suas redes sociais no mês de agosto, o padre Robson afirmou que todo o dinheiro arrecadado com doações foi utilizado em atividades religiosas. “Tudo está desde a primeira doação, e assim continua, na Afipe, e é utilizado para que nós levemos a nossa obra de evangelização aos fiéis ao mundo. Meu coração está sereno e confiante de que tudo será esclarecido o mais breve possível”, disse.

Investigações

As investigações começaram depois que o padre Robson foi vítima de extorsão, em 2017, quando ele teve computador e celular hackeados e passou sofrer chantagem “para que não divulgassem imagens e mensagens eletrônicas com informações pessoais, amorosas e profissionais que levassem a prejudicar sua imagem”, segundo o MP.

Na ocasião, o Padre Robson transferiu mais de R$ 2 milhões das contas bancárias da Afipe para os criminosos. A quadrilha foi condenada em 2019, mas o uso do dinheiro da fundação para fins pessoais ligou o sinal de alerta das autoridades. O MP afirma que o padre Robson apropriou-se de valores arrecadados dos fiéis e utilizou para finalidades diversas daquelas desenvolvidas pela entidade.

O advogado Pedro Paulo de Medeiros, defensor do padre, sustenta que a Afipe “não deve, com o devido respeito, satisfação a órgão público” por se tratar de uma associação formada por dez membros e que não recebe doações de entes públicos. Ele afirma que a entidade sobrevive unicamente de doações de fiéis, as quais são “voluntárias e espontâneas”.

Para o advogado, é a própria Afipe quem deve analisar possíveis irregularidades em seus quadros e criticou a atuação do Ministério Público no caso. O defensor afirma que o MP não tem competência para investigar a associação.

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